Silêncio Corrompido

Inutilidade de pensamentos. Idéias completas, mas sem estrutura. Cansaço, como se eu tentasse, constantemente, me curar de algo incurável. 
Sentindo as mãos atadas, as asas cortadas, minha mente, toda, arquivada, além da certeza de que os remendos estão em falta nas prateleiras. Me vejo bem perdida, sem limites, debatendo-me para encontrar uma atadura qualquer.

O corpo ta repleto de gritos abafados, silêncios ensurdecedores e mal compreendidos. Aqui as palavras são, muitas vezes, devoradas por vermes, só pelo poder de controlar emoções e finais felizes, em um ciclo constante de prisão e liberdade com misto de amor e orgulho.

Demoro a captar que sempre caio na mesma duvida “No fim das contas o que sobra de mim? O que sobra de tudo?”

E partindo daí, estabeleço que é irrelevante se eu escrevo coerentemente, se escrevo as minhas memórias ou as memórias que outros viveram, desde que eu escreva. Porque eu não quero morrer, não quero deixar tudo dentro de pele e ossos, não posso deixar que o meu corpo aprisione as palavras, as idéias e os ideais.

Me desamarro toda, vôo tão alto com frases, estupidamente, elaboradas. Vôos rasantes expondo o amor e, quase sempre, expondo a mim mesma. Só pra não deixar passar mais nem um momento oportuno, em que eu possa escrever por amor, por mim, por uma mente que não se cala, nem quando dorme.


Goste você ou não. 

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